Coitada da garota, tão pequena e frágil. Ouço dizer por ai que o seu sorriso se perdeu, que nada mais é capaz de fazer os seus olhos brilharem como antes. Sempre que a vejo perambulando pelas ruas sinto o meu coração se apertar, sinto vontade de embalá-la em meus braços e não soltar nunca mais. Sinto que ela precisa de alguém, entende? Parece que os seus olhos tristes clamam por uma salvação, imploram para que alguém a tire do grande buraco negro que se tornou a sua vida. Não é pena o que eu sinto por ela, o que eu sinto é bem diferente, é uma sensação de reconhecimento pelo o que ela está passando, é um desejo inconsumível de resgatá-la e impedir que ela passe pelo mesmo que eu passei um dia. Às vezes vivemos o que nunca imaginamos viver, parece que algo nos puxa para baixo e quando percebemos estamos ali… Nos afogando. Eu sei que não posso interferir na vida das pessoas, mas ver a situação daquela pobre pequena está me aterrorizando, veja o medo que se espalha pelos olhos delas, eu reconheço aquele olhar gélido e frágil, ela precisa ser salva, precisa de alguém para urgentemente amá-la. Agora percebo que ela está olhando para um outro local, o que será que chamou a sua atenção? Meus olhos percorreram todos os locais até encontrar o ponto de foco da garota, e assim que encontraram senti meu corpo inteiro se retesar e ficar imóvel. Seria mesmo possível? Todos os sentimentos reprimidos dentro da pobre criança passaram como um filme diante dos meus olhos, meu coração tornou a se apertar e como em um flashback pude ver o que tanto a transtornava, pude ver a compreensão se espalhar por todo o seu corpo e só então compreendi o que estava acontecendo […] aquela garota que vivia com um semblante triste, se torturando e, com o rosto marcado por lágrimas era nada menos do que eu mesma, solitária e sem um refúgio, implorando por uma salvação. — s-ufocar





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